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Histórias

PodITAÍ: vozes jovens no combate ao racismo e pela valorização da identidade negra

Publicado em 27 maio 2025

No município de Cariacica, no Espírito Santo, estudantes encontraram no microfone
do podcast uma poderosa ferramenta de transformação social. Com coragem,
sensibilidade e espírito de equipe, Júlia, Isabela, Samuel e Lázaro – Guardiões da
Juventude do 8º e 9º anos da EEEFMTI Itagiba Escobar – se tornaram protagonistas
de uma narrativa potente: o combate ao racismo estrutural e a valorização da
juventude negra.

Foi assim que surgiu o PodITAÍ, um podcast criado a partir da missão Diversidade
Cultural Afro Indígena, do Programa Escolaí. A ação foi escolhida pelos estudantes
por refletir seus interesses e preocupações, criando um espaço para promover a
autoestima e desenvolver habilidades que os preparem para o futuro profissional e
pessoal.

Da ideia à ação: um plano coletivo

A semente do projeto foi plantada ainda em setembro de 2024, quando os jovens se
reuniram com Guardiões Educadores para desenhar um espaço de escuta ativa com
protagonismo dos estudantes.

“Queríamos que cada etapa fosse construída de forma colaborativa. Que os alunos se
vissem como agentes de transformação, não apenas como ouvintes do problema, mas
como parte da solução”, explica a coordenadora pedagógica Marinalva de Souza.
Surgiu, então, a proposta de que o podcast contasse não só com a participação de
convidados externos, mas também com participação de professores e funcionários
negros.  Durante semanas, os estudantes pesquisaram temas como história afro-
brasileira, políticas públicas, discriminação e autoestima.

Aos poucos, o estúdio improvisado no auditório da escola ganhou vida. Caixas de
papelão viraram isolantes acústicos, tecidos coloridos foram usados para decorar o
ambiente, e uma mesa simples, cercada de expectativa e orgulho, se tornou palco
para relatos de vida, superação e luta.

“Ouvir o professor Braima contar que era um dos poucos negros na
universidade me fez perceber que o racismo está enraizado desde antes de
nascermos. E que, se não nos unirmos, ele continua nos silenciando”, contou
Júlia, uma das entrevistadoras.

Entre os relatos impactantes do episódio, o professor de matemática Braima Balde,
imigrante de Guiné-Bissau, compartilhou os desafios de ser negro, estrangeiro e
educador no Brasil. Chicão, professor de história, se emocionou ao contar que foi o
primeiro de sua família a acessar a universidade graças às políticas de cotas.

Marinalva, a coordenadora, trouxe à tona sua própria trajetória, marcada pelo racismo
recreativo desde a infância até a conquista da formação em pedagogia: “Transformei a
dor em luta. A educação foi minha libertação.”

Memória e pertencimento

Paralelamente às  gravações, os estudantes planejaram a construção de um mural
fotográfico, que traria imagens do cotidiano das famílias da comunidade escolar. A
proposta? Resgatar memórias, valorizar histórias e fortalecer a autoestima dos

estudantes e seus familiares. O mural foi finalizado no mês da Consciência Negra,
como um símbolo permanente de resistência e celebração da identidade negra.

“A gente entendeu que ser Guardião da Juventude é mais do que estudar. É lutar por
igualdade, é dar voz a quem foi silenciado, é aprender com os mais velhos e ensinar
os mais novos”, diz Samuel.

Escute aqui o PodTaí!

Por Isabela do Carmo, especial para a Fundação Otacílio Coser

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