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Artigo, Conexões

13º Congresso GIFE e nosso olhar sobre desafios na atuação com juventudes

Publicado em 27 maio 2025

Imagem: GIFE

“Desconcentrar Poder, Conhecimento e Riquezas” foi o tema que buscou mover os três dias de debates do #13CongressoGIFE, realizado de 7 a 9 de maio. Nesse contexto, fez sentido o grande movimento de realizar o principal encontro do investimento social privado fora do eixo Rio-SP, em Fortaleza (CE). Representando a Fundação Otacílio Coser, uma das mais de 170 organizações associadas ao GIFE, voltamos nosso olhar especialmente para a contribuição do nosso campo na desconcentração de oportunidades para as juventudes brasileiras.

Se logo no primeiro dia pudemos participar da mesa “Desafios e Oportunidades no Investimento Social Privado para (e com) as Juventudes”, lançando um guia destinado ao setor, no último dia fomos provocadas com um duro fato da realidade, anunciado momentos antes da plenária de encerramento do Congresso.

Ticiana Rolim Queiroz, do Somos Um, subiu ao palco emocionada para contar que dois jovens da periferia de Fortaleza haviam sido assassinados na noite anterior. Eles eram moradores da região da favela do Inferninho, onde funcionam as ações sociais do Instituto Pensando Bem, criado pelo empreendedor social e também jovem Rutenio Florencio. Após um minuto de silêncio por essas vidas perdidas de forma tão brutal, já era preciso reacender nossas esperanças no futuro. Ticiana dividiu conosco as reflexões do próprio Rutenio em meio ao luto: a necessidade urgente de apontar melhores horizontes de futuro e de trabalho para os amigos daqueles que se foram.

Abaixo, divido outros destaques do painel de lançamento do “Guia de Diretrizes, Estratégias e Boas Práticas de Investimento Social Privado para e com as Juventudes”. Nossa mesa se estruturou na apresentação dos cinco eixos norteadores da publicação, partindo de evidências e insights sobre experiência de vida dos jovens, políticas públicas, recursos, diversidade e território.

  • Abordamos a importância de considerar a experiência de vida dos jovens, lembrando que, dos cerca de 10 milhões de jovens que não estudam nem trabalham no Brasil, 70% são negros e 65% são mulheres, em sua maioria com filhos pequenos. São números que contam histórias de vida e já revelam uma série de barreiras no acesso desses grupos a direitos fundamentais, como educação, saúde, trabalho, segurança, cultura, entre outros. Nesse sentido, é importante que o ISP trabalhe mais profundamente sob o olhar da equidade — considerando gênero, raça, território e acesso a políticas públicas, em ações intencionalmente pensadas com e para quem mais precisa.
  • O Guia também aponta a necessidade de acelerarmos soluções mais integradas e colaborativas. Mencionamos que nosso setor têm o papel de cobrar a responsabilidade de empresas no enfrentamento a desafios sistêmicos, que passam pela atuação do governo. Por isso, há 20 anos trabalhamos com secretarias de educação para apoiar o desenvolvimento do projeto de vida dos jovens de escolas públicas.
  • Por outro lado, também precisamos fortalecer nossa própria ação intrasetorial. Por isso anunciamos em primeira mão as inscrições para a 2ª edição do Mapeamento pelas Juventudes —que este ano conta com apoio do GIFE, do Catalyst Now e da Fundação Roberto Marinho. Nosso objetivo é dar visibilidade a organizações que atuam na geração de oportunidades para jovens para exatamente fomentar parcerias e a complementariedade de ação entre elas.
  • Outro ponto explorado no eixo de experiência de vida do jovem foi o desafio de ampliar seu protagonismo no desenho das ações apoiadas pelo ISP. Mencionamos um pouco da experiência do nosso Programa Escolaí, que este ano apoia mais de 100 escolas públicas em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro com uma metodologia voltada ao protagonismo e ao desenvolvimento da liderança dos jovens de Ensino Fundamental II e Ensino Médio.
  • Nossas ações acontecem como missões de uma gincana cultural colaborativa, e para isso cada escola cria um time de Guardiões da Juventude, composto por um grupo diverso de estudantes, com trajetórias variadas — inclusive com estudantes mais expostos à violência ou em risco de evasão. Ao assumirem a responsabilidade de liderar o planejamento e a realização das atividades ao longo do ano, eles desenvolvem autoestima, descobrem seus talentos e fortalecem  vínculos com a comunidade educativa, que é um fator básico para a conclusão da educação básica e, consequentemente, para a empregabilidade jovem. Vale mencionar que o Programa Escolaí não está dedicado somente a esse grupo, mas são eles que envolvem e convocam todos os outros estudantes nesta jornada para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais alinhadas à Base Nacional Comum Curricular e ao mundo do trabalho.

Os demais eixos do Guia foram apresentados e debatidos por Carla Francischette (Juventudes Potentes – United Way Brasil | UWB), Marcelo Bentes (Fundação Roberto Marinho), Nayara Bazzoli (United Way Brasil | UWB) e Rafaela Canela (Fundação FEAC), com uma condução engajada e firme de Larissa da Silva Fontana (Em Movimento), jovem negra e pesquisadora com olhar profundo sobre gênero, raça e movimentos sociais.

Temos pela frente um longo caminho, que envolve olhar para dentro, aperfeiçoando nossas práticas, e também olhar para fora, dialogando com outras organizações e empresas interessadas em atuar com juventudes. Sigamos, com esperança e otimismo, sempre acreditando naqueles que, de fato, irão conduzir as transformações que o país precisa!

E se você acompanhou o Congresso GIFE e quer participar desse papo, não deixe de comentar aqui. Será uma alegria seguirmos em contato!

Por Júlia Tavares, gerente de Comunicação da Fundação Otacílio Coser

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